A escuridão e a neblina daquela noite fria camuflavam a entrada da escura caverna por entre as árvores. Mesmo assim, todos convocados estavam comparecendo para o que seria uma convocação dos principais integrantes do bando. A única característica em comum dentre todos os ali presentes e que ainda chegavam era o desenho de uma flor, seja tatuado, seja bordado ou até mesmo cravejado em uma espada ou escudo.
O interior da caverna era bem úmido e sua pouca iluminação era garantida por tochas fixadas nas paredes da caverna, fazendo assim um corredor em penumbra. Mais à frente, o corredor se abria formando uma sala oval onde havia uma mesa retangular coberta por um tecido roxo com o desenho de uma flor negra no centro, velas para iluminação e 3 cadeiras reservadas para os principais membros na parede oposta ao corredor. Esse salão era um pouco mais iluminado que o corredor, pois havia mais tochas e estas estavam localizadas tanto nas paredes do salão quando no meio, equilibradas por hastes de madeira. Cadeiras para prováveis expectadores e participantes do que seria uma provável palestra ou discussão.
Tão logo todos os acentos se ocuparam, inclusive os principais da mesa, o murmúrio outrora comum devido conversas paralelas cessou e assim todos puderam prestar atenção nos três seres que adentravam a sala juntos, paralelos um ao outro, em linha, se direcionando aos três lugares reservados à mesa. Eram eles: um homem de meia idade, um jovem guerreiro e uma garota.
- Façam reverência à Sodoreon, nosso glorioso líder.
Diz o porta-voz imediatamente após a entrada do salão.
Enquanto se caminhavam para tomarem seus lugares, Sodoreon vira seu pescoço e fala para o jovem ao seu lado.
- Garoto, desde o dia que fui conhecer-te pessoalmente no alto daquele penhasco, sabia que logo estaria aqui ao meu lado.
Sem sequer mover um músculo, o jovem loiro, agora mais forte e mais confiante que outrora, com sua armadura de cor prateada com detalhes em roxo e a flor negra condecorando seu peitoral revestido, segue em frente tomando seu lugar à direita de Sodoreon.
A jovem garota estava também trajando uma armadura azul metálica com detalhes em prateado, em seu cabelo era possível ver presilhas em formato de flor também negra como as outras do local.
Assim que todos estavam apostos, apenas Sodoreon permaneceu em pé. Todos prestavam total atenção em seu líder. Sodoreon então retira sua espada, coloca-a na mesa. Esse procedimento é repetido pelos outros dois integrantes da mesa.
- E assim dou iniciada nossa reunião. Como todos sabem essa reunião foi solicitada por meu aprendiz e braço direito que, prontamente, liderará o ataque à próxima vila.
Então o jovem guerreiro se levanta e toma a palavra para si, dando inicio ao seu objetivo com a reunião.
- Cavalheiros e damas aqui presentes. Solicitei vossa presença para informá-los sobre possíveis mudanças no atual plano. Primeiramente, porém pedir a permissão de nosso líder para que possamos reverenciar nossa princesa Ludmilla, por sua primeira reunião e, de fato, importante reunião.
Com a devida permissão de Sodoreon, após Ludmilla se levantar, todos se levanta, e ficam de joelhos em sinal de reverência à filha de seu líder Sodoreon.
Após as reverencias e devidas palavras de incentivo dadas pelos presentes, o guerreiro prosseguiu com seu discurso:
- Como dito recentemente, essa reunião foi solicitada por mim. Meus planos mudaram desde nossa ultima reunião para decidir as táticas de nosso próximo ataque. Mas não apenas para esse ataque, meus planos para todo o futuro desse grupo, denominado de Lótus Negra, representado pelo símbolo que cada um de vós carrega. A forma como estamos hoje, nos trás nada mais que o titulo de mercenários, bandidos fracassados, meros ladrões. O que almejo é algo muito maior que ridículas recompensas miseráveis de vilas pobres e largadas à deriva pelos reinos. Almejo algo grandioso, almejo golpes ousados e acima de tudo, almejo a gloria e a honra daqueles que tem orgulho desse símbolo que carregam.
Sodoreon bate com sua mão à mesa e levanta-se com raiva em sua expressão, encara o jovem guerreiro e diz:
- Como ousa jogar o nome de seu grupo na lama desse jeito? Questionar o orgulho dessa organização é questionar minha autoridade!
- Temia ouvir tais palavras de sua boca Sodoreon, mas já previa sua atitude, tão logo promovi essa reunião para tirar a liderança de suas mãos patéticas. Agora não há mais volta, desafio-o pela liderança do grupo. Aceite meu desafio e seja honrado, ou então levará ainda mais para a vergonha o nome que sequer ainda construiu.
Diz o jovem em tom desafiador e totalmente arrogante, sem respeito ou qualquer reconhecimento sobre o homem a quem respondia.
- Ora seu moleque! O que seria de você sem mim? Eu te criei, eu te treinei, tudo o que é hoje, é devido minha causa. Ousa me desafiar? Ousa me questionar? Se não me respeita pela liderança, me respeitará pela espada!
- Você é decrépito assim como todo esse bando que diz comandar. Eu apenas usei o fato de se interessar por minhas origens nobres, talvez para mendigar alguns trocados. Sua atitude patética me enoja desde o momento que o vi pela primeira vez. Pra você, tudo acaba aqui. O desafio está lançado.
Responde o cavaleiro já empunhando sua espada e se direcionando para o centro do salão.
Agora todos os presentes faziam um círculo no centro do salão, retiram as cadeiras do local e se posicionam para presenciar o a luta que esta para acontecer.
Ludmilla, aflita, parecia confusa, sem saber para quem torcer. Em momento algum a jovem se opôs às atitudes do jovem guerreiro, como também não defendeu seus ideais. Sua postura era neutra e confusa perante os acontecimentos.
Sodoreon, profundamente irritado, empunha sua espada, dirige-se ao centro do salão onde está posicionado seu oponente.
Ambos cruzam suas espadas, fazem a reverencia em forma de respeito para com a pratica que estão para realizar, encaram um ao outro. Sodoreon demonstra ira em seus olhos, seu rosto franzido e seus dentes cerrados, seu punho segurava fortemente sua espada parecendo que iria amassar seu cabo. Seu oponente estava tranqüilo, olhar concentrado, sempre fitando Sodoreon nos olhos, sua respiração constante e tranqüila.
E nesse ambiente de confronto entre os oponentes, as espadas começam a se cruzar golpe após golpe, as fagulhas saiam parecendo raios cruzando o céu, iluminando o interior da caverna. Ambos muito confiantes, com golpes poderosos e firmes. As espadas se chocaram, cruzadas e fixas, de forma que os oponentes pudessem se encarar.
- Pretende mesmo morrer aqui moleque? Se for essa sua vontade, farei de seu desejo uma realidade. Suas ambições são maiores que seu próprio ego moleque. Então sua jornada acaba aqui.
- Não Sodoreon. Você é apenas a pedra que impede minha ascensão. E como tal merece ser retirada. Apenas te vejo como um guerreiro fracassado líder de um grupo falido de mercenários patéticos. E isso acaba agora.
Então os oponentes se afastam. Olhares compenetrados. Sodoreon empunha sua espada próxima à seu peito fazendo a lamina passar rente ao seu rosto. O jovem guerreiro fez com que sua lâmina avermelhada tocasse o chão. E assim avançaram um em direção ao outro. Sodoreon projeta sua espada de cima pra baixo enquanto o cavaleiro riscava o chão, soltando faíscas, projetando seu golpe de baixo para cima.
O barulho de metal se chocando é ouvido por todos dentro do salão. A apreensão tomava conta. Ambos os combatentes permaneciam em pé, um de costas para o outro, na posição de conclusão do golpe.
Alguns pingos de sangue colorem agora o chão do salão. Era o sangue de Sodoreon. Poucos segundos se passaram até que seu corpo se desestabilizasse da posição e caísse de frente. Seu pescoço havia sido completamente dilacerado e sua cabeça rolou alguns centímetros mais à frente.
A luta havia terminado, o silêncio se intensificado, e a surpresa era geral para a maioria. Apenas um pequeno grupo de presentes não expressou reação alguma e Ludmilla que deixava escorrer algumas lágrimas embora não expressasse raiva ou rancor.
Sem expressar algum sentimento, com seu rosto indiferente ao acontecido, o jovem guerreiro diz:
- Como novo líder desse então grupo de bandidos, Dark Lótus, nomeio Zigfried como meu braço direito, e meus comandados imediatos serão Joe Tristan, Feuer, Angus Yaak, Allandarus. Nossa nova ordem está estabelecida. A partir de agora me chamem de “O Impiedoso” e minha espada será “Bebedora de Sangue”.
Blog dedicado à história "Drew" Criada por: Alan Carlos Dellalibera (Drovan Dreamless Simple Genuine) Espero que gostem =P
sexta-feira, 7 de maio de 2010
quarta-feira, 5 de maio de 2010
Capitulo 13: A garota da taverna
A passos largos, Punidor segue em direção à cidade-porto de Mansúria, preocupado e temeroso quanto aos destroços encontrados na praia pouco antes da batalha na ponte. E assim seguem até chegarem às primeiras casas e lojas da cidade.
Por ser uma cidade estratégica de chegada de mercadorias, devido o porto, baseia-se pelo comércio e alto fluxo de pessoas de diversas culturas e regiões, sendo muito comum várias pousadas, estalagens e tavernas para acomodação e entretenimento dos mercadores. Apesar disso tudo, a cidade é modesta em tamanho, mas bem cômoda e tranqüila. O ar marítimo da cidade combinado com o calor agradável, era um convite para todos os visitantes, fazendo dela, a cidade mais popular entre os nobres.
Ao adentrarem mais na cidade, puderam observar o porto onde havia recém-atracado um navio com características incomuns para um navio mercador, canhões expostos e muitos membros da tripulação podiam ser observados com roupas militares.
- Não podemos perder tempo senhor Gilbert. Vamos para a pousada repousar pois logo mais irá anoitecer.
Diz Zangor tirando Punidor de sua momentânea distração e pensando no por que de tamanho poder de fogo para um navio meramente mercador. E ao seguir para a pousada, Punidor não hesita em dar uma ultima observada no local onde o navio estava atracado.
A noite cai, e os membros do grupo buscam repouso em seus respectivos quartos na pousada indicada por Iliam pouco antes de saírem em viagem. Mas Punidor não conseguira dormir, pensava sobre suas lutas, sobre seu ódio por toda a destruição que presenciara outrora. E em meio a essas reflexões, pôde notar uma sombra passando por sua janela e então vai averiguar.
- Até que você está atento para alguém que tenta relaxar, guerreiro sagrado. Pensei que te surpreenderia ao adentrar seu quarto sem você perceber.
Disse Drew em seu tom tipicamente sarcástico.
-Por que me interrompe? Não percebe que sua presença me incomoda?
Retruca Punidor irritado.
-Calma, calma meu camarada. Só pensei em chama-lo para tomar uma bebida, afinal, estamos em Mansúria, e esta cidade pode ser um paraíso para quem quer se divertir... Como eu HAHAHAHAHA.
-Não me interessa. Saia daqui!
Diz Punidor aumentando seu tom de voz e buscando intimidar Drew ao ameaçar sacar sua espada.
-Ora vamos. Podemos conversar sobre aquela mulher que saiu do navio hoje à tarde. Ou vai fingir que não a viu... heim Temível gladiador?
Punidor fica pasmo por alguns segundos até decidir acompanhar Drew.
Poucos minutos após os dois se encontravam em uma taverna suja e freqüentada por bandidos e possíveis saqueadores de mercadorias, provavelmente piratas ou ladrões de comerciantes.
Punidor e Drew se sentam em uma mesa bem ao canto do local, buscando privacidade e o menor contato possível com o ambiente, para evitar possíveis confrontos no local, embora Drew parecesse bem excitado com a possibilidade de haver alguma luta.
- Você me enrolou por todo o caminho apenas para me trazer em uma espelunca para me ver bater em bandidos asquerosos como esses?
Pergunta Punidor com o ar grosseiro que costuma fazer para Drew.
- Embora me parece realmente muito divertido ver sangue jorrar desses patifes asquerosos, te trouxe aqui pois é o local mais inadequado para alguma jovem garota, não é verdade? Ou você é tão desatento a ponto de não perceber que fomos seguidos?
- Sim, tive essa sensação desde a chegada ao porto.
- Então nobre cavaleiro, aquela embarcação não te pareceu suspeita? Acho que já a vi em algum lugar, porém, a bandeira era bem mais florida. HAHAHA
- Florida? O que quer dizer com isso?
- Acho que logo mais sua noite vai ficar interessante.
Antes que pudesse questionar as sentenças ditas por Drew, punidor fora surpreendido por uma voz suave e feminina que dizia:
- Desculpe senhor, está falando sozinho?
Ao prestar atenção em quem falava, Punidor pode ver uma doce e bela senhorita. Parecia ter por volta de seus vinte anos de idade, rosto de pele clara e levemente avermelhada, seus olhos eram verdes e lembravam o mar que banhava a costa da cidade, seus cabelos loiros e brilhosos estavam amarrados por uma fita branca, seu vestido azul mesclado de detalhes brancos deixava claro que a donzela não freqüentava esse tipo de local frequentemente.
-Senhor?
Repetiu a moça após perceber o rosto confuso de Punidor que havia olhado em sua volta e percebido que Drew havia sumido novamente, como era de praxe daquele jovem problemático.
Novamente Punidor volta sua atenção para a senhorita que diz.
- Desculpe minha interrupção, mas não pude deixar de notar que está trajado diferente do restante dos homens desse local, posso sentar-me ao seu lado? Já que não há ninguém contigo. Me chamo Ludmilla. Sou uma mercante vinda das terras do sul e não me senti à vontade de ficar sozinha neste local.
Pode-se perceber certo constrangimento vindo da jovem senhorita ao fazer tal pedido. No entanto, antes que Punidor pudesse aceitar seu pedido, um homem aparentemente forte e cheio de cicatrizes, vestido como um possível fora da lei puxa a jovem donzela pelo braço e diz:
- Aqui é seu lugar docinho. Sente-se aqui, na mesa dos mais fortes, e sinta-se feliz por ter minha atenção. Quem sabe não passará a noite...
Antes que pudesse terminar de falar, Punidor já havia pressionado a lâmina azul celeste de sua espada contra o pescoço do bandido, a ponto de manchar levemente a espada com tons de vermelho.
Nesse momento, alguns dos homens na mesa levantam-se buscando intimidar Punidor.
- Não quero ter que machuca-los.
Diz Punidor exigindo que soltem a jovem.
- Quem sairá machucado aqui será você. Matem-no.
E assim que a ordem foi dada, um a um dos capangas atacaram Punidor e um a um foram caindo, vitimas de poderosos golpes cheios de técnica e perícia. Um a um os corpos decoravam o chão de madeira mofada até que só sobrasse o chefe daquela mesa e antes que este pudesse dizer algo, pode-se notar o medo e a surpresa em seu rosto marcado por cicatrizes.
Quando ameaçou alguma reação, Punidor já dilacerava seu pescoço de forma a pintar o chão de vermelho.
Ao contrario do que pode-se imaginar, a jovem garota não expressava medo, nem surpresa. Ela observou a cena enquanto Punidor descontava parte de seu rancor nos bandidos e após acabar a ação do local, diz:
- Em retribuição à sua conduta, permita-lhe pagar uma bebida, nobre guerreiro.
Os olhares espantados a falta de reação dos freqüentadores do local era tamanho que ninguém ousara se aproximar de Punidor. E esse panorama durou até o momento que a senhorita chegou com uma bandeja com duas taças cheias de vinho e uma garrafa.
Então todos voltaram para suas respectivas mesas enquanto os empregados limpavam a sujeira e jogavam os corpos para fora do estabelecimento. Parecia ser um procedimento comum devido o tipo de pessoa que freqüentava o ambiente.
Tão logo sentam à mesa e se colocam a conversar, Punidor segura sua taça, brinda coma senhorita, e quando vai tomar seu vinho, tem uma sensação estranha e decide apenas degustar levemente de seu vinho, ingerindo apenas uma pequenina quantidade. Ao fazer isso pôde perceber o ar sério e aflito da senhorita que pergunta:
- O que aconteceu? O vinho não parece bom?
- Não é isso. Estou surpreso um lugar como esse ter vinho. Pensei ser uma bebida para uma classe mais elevada que meros criminosos.
Nesse momento a garota faz uma expressão de preocupação, como quem se frustra por não agradar enquanto Punidor começa a sentir leve tontura e cansaço em todo seu corpo. Então levanta-se e diz:
- Desculpe minha indelicadeza, mas não estou muito bem, devo me retirar.
- Mas... Mas... Tudo bem, eu compreendo. Posso ao menos acompanha-lo nobre guerreiro?
- Estou hospedado longe e...
Antes que pudesse terminar seu raciocínio, Punidor se coloca cambaleando a ponto de ter que se apoiar na mesa.
-Vamos para minha hospedagem. Não estamos tão longe e não seria incomodo passar a noite com quem salvou minha vida.
Então, meio cambaleante, Punidor chega, com ajuda de Ludmilla, à estalagem onde a jovem estava hospedada.
Sutilmente a senhorita retira as partes superiores da armadura e das vestes do guerreiro, deitando-o na confortável cama do aposento.
Punidor estava confuso em sua mente, como quem está dopado ou bêbado, não pode notar que a jovem agora se punha sobre seu corpo, em posição ajoelhada, parecendo cavalgar, com rubor em sua face que ainda expressava inocência, seu cabelo agora solto e caindo sobre seu rosto, suas mãos pressionavam o peito do guerreiro. Apenas uma luz de vela iluminava todo o quarto, deixando o clima agradável da penumbra totalmente sedutor. A pouca luz ainda podia ser refletida pelos dourados cabelos da jovem.
Mesmo sem poder reagir, Punidor percebeu que a jovem, agora, levava a mão para entre duas pernas, dentro do vestido e antes que pudesse ter qualquer reação ou sensação, a garota retirou um punhal e o colocou de forma a pressionar Punidor. Seu olhar agora era de determinação e parecia decidida no que fazer.
Nesse momento Punidor, usando de suas forças restantes e sem nenhum discernimento, ergue sua mão até o rosto da donzela, acaricia seu rosto e diz:
-Tão selvagem e tão inocente. Cabelos dourados e reluzentes, valiosa e sedutora, como uma pepita de ouro bruta, ainda a ser lapidada... Tão rara e encontrada em um lugar tão improvável...
Ao ouvir isso, a garota desfez sua expressão de determinação. Seu rosto agora transparecia duvidas e incertezas, suas mãos tremiam, sua respiração agora estava ofegante, solta o punhal que cai ao chão, e tão logo se levanta.
Punidor não pode ver mais nada, seus olhos pesados e sua cabeça confusa não o permitiam distinguir o que estava acontecendo até que ouve o bater da porta e, em seguida, desacorda-se no leito.
Por ser uma cidade estratégica de chegada de mercadorias, devido o porto, baseia-se pelo comércio e alto fluxo de pessoas de diversas culturas e regiões, sendo muito comum várias pousadas, estalagens e tavernas para acomodação e entretenimento dos mercadores. Apesar disso tudo, a cidade é modesta em tamanho, mas bem cômoda e tranqüila. O ar marítimo da cidade combinado com o calor agradável, era um convite para todos os visitantes, fazendo dela, a cidade mais popular entre os nobres.
Ao adentrarem mais na cidade, puderam observar o porto onde havia recém-atracado um navio com características incomuns para um navio mercador, canhões expostos e muitos membros da tripulação podiam ser observados com roupas militares.
- Não podemos perder tempo senhor Gilbert. Vamos para a pousada repousar pois logo mais irá anoitecer.
Diz Zangor tirando Punidor de sua momentânea distração e pensando no por que de tamanho poder de fogo para um navio meramente mercador. E ao seguir para a pousada, Punidor não hesita em dar uma ultima observada no local onde o navio estava atracado.
A noite cai, e os membros do grupo buscam repouso em seus respectivos quartos na pousada indicada por Iliam pouco antes de saírem em viagem. Mas Punidor não conseguira dormir, pensava sobre suas lutas, sobre seu ódio por toda a destruição que presenciara outrora. E em meio a essas reflexões, pôde notar uma sombra passando por sua janela e então vai averiguar.
- Até que você está atento para alguém que tenta relaxar, guerreiro sagrado. Pensei que te surpreenderia ao adentrar seu quarto sem você perceber.
Disse Drew em seu tom tipicamente sarcástico.
-Por que me interrompe? Não percebe que sua presença me incomoda?
Retruca Punidor irritado.
-Calma, calma meu camarada. Só pensei em chama-lo para tomar uma bebida, afinal, estamos em Mansúria, e esta cidade pode ser um paraíso para quem quer se divertir... Como eu HAHAHAHAHA.
-Não me interessa. Saia daqui!
Diz Punidor aumentando seu tom de voz e buscando intimidar Drew ao ameaçar sacar sua espada.
-Ora vamos. Podemos conversar sobre aquela mulher que saiu do navio hoje à tarde. Ou vai fingir que não a viu... heim Temível gladiador?
Punidor fica pasmo por alguns segundos até decidir acompanhar Drew.
Poucos minutos após os dois se encontravam em uma taverna suja e freqüentada por bandidos e possíveis saqueadores de mercadorias, provavelmente piratas ou ladrões de comerciantes.
Punidor e Drew se sentam em uma mesa bem ao canto do local, buscando privacidade e o menor contato possível com o ambiente, para evitar possíveis confrontos no local, embora Drew parecesse bem excitado com a possibilidade de haver alguma luta.
- Você me enrolou por todo o caminho apenas para me trazer em uma espelunca para me ver bater em bandidos asquerosos como esses?
Pergunta Punidor com o ar grosseiro que costuma fazer para Drew.
- Embora me parece realmente muito divertido ver sangue jorrar desses patifes asquerosos, te trouxe aqui pois é o local mais inadequado para alguma jovem garota, não é verdade? Ou você é tão desatento a ponto de não perceber que fomos seguidos?
- Sim, tive essa sensação desde a chegada ao porto.
- Então nobre cavaleiro, aquela embarcação não te pareceu suspeita? Acho que já a vi em algum lugar, porém, a bandeira era bem mais florida. HAHAHA
- Florida? O que quer dizer com isso?
- Acho que logo mais sua noite vai ficar interessante.
Antes que pudesse questionar as sentenças ditas por Drew, punidor fora surpreendido por uma voz suave e feminina que dizia:
- Desculpe senhor, está falando sozinho?
Ao prestar atenção em quem falava, Punidor pode ver uma doce e bela senhorita. Parecia ter por volta de seus vinte anos de idade, rosto de pele clara e levemente avermelhada, seus olhos eram verdes e lembravam o mar que banhava a costa da cidade, seus cabelos loiros e brilhosos estavam amarrados por uma fita branca, seu vestido azul mesclado de detalhes brancos deixava claro que a donzela não freqüentava esse tipo de local frequentemente.
-Senhor?
Repetiu a moça após perceber o rosto confuso de Punidor que havia olhado em sua volta e percebido que Drew havia sumido novamente, como era de praxe daquele jovem problemático.
Novamente Punidor volta sua atenção para a senhorita que diz.
- Desculpe minha interrupção, mas não pude deixar de notar que está trajado diferente do restante dos homens desse local, posso sentar-me ao seu lado? Já que não há ninguém contigo. Me chamo Ludmilla. Sou uma mercante vinda das terras do sul e não me senti à vontade de ficar sozinha neste local.
Pode-se perceber certo constrangimento vindo da jovem senhorita ao fazer tal pedido. No entanto, antes que Punidor pudesse aceitar seu pedido, um homem aparentemente forte e cheio de cicatrizes, vestido como um possível fora da lei puxa a jovem donzela pelo braço e diz:
- Aqui é seu lugar docinho. Sente-se aqui, na mesa dos mais fortes, e sinta-se feliz por ter minha atenção. Quem sabe não passará a noite...
Antes que pudesse terminar de falar, Punidor já havia pressionado a lâmina azul celeste de sua espada contra o pescoço do bandido, a ponto de manchar levemente a espada com tons de vermelho.
Nesse momento, alguns dos homens na mesa levantam-se buscando intimidar Punidor.
- Não quero ter que machuca-los.
Diz Punidor exigindo que soltem a jovem.
- Quem sairá machucado aqui será você. Matem-no.
E assim que a ordem foi dada, um a um dos capangas atacaram Punidor e um a um foram caindo, vitimas de poderosos golpes cheios de técnica e perícia. Um a um os corpos decoravam o chão de madeira mofada até que só sobrasse o chefe daquela mesa e antes que este pudesse dizer algo, pode-se notar o medo e a surpresa em seu rosto marcado por cicatrizes.
Quando ameaçou alguma reação, Punidor já dilacerava seu pescoço de forma a pintar o chão de vermelho.
Ao contrario do que pode-se imaginar, a jovem garota não expressava medo, nem surpresa. Ela observou a cena enquanto Punidor descontava parte de seu rancor nos bandidos e após acabar a ação do local, diz:
- Em retribuição à sua conduta, permita-lhe pagar uma bebida, nobre guerreiro.
Os olhares espantados a falta de reação dos freqüentadores do local era tamanho que ninguém ousara se aproximar de Punidor. E esse panorama durou até o momento que a senhorita chegou com uma bandeja com duas taças cheias de vinho e uma garrafa.
Então todos voltaram para suas respectivas mesas enquanto os empregados limpavam a sujeira e jogavam os corpos para fora do estabelecimento. Parecia ser um procedimento comum devido o tipo de pessoa que freqüentava o ambiente.
Tão logo sentam à mesa e se colocam a conversar, Punidor segura sua taça, brinda coma senhorita, e quando vai tomar seu vinho, tem uma sensação estranha e decide apenas degustar levemente de seu vinho, ingerindo apenas uma pequenina quantidade. Ao fazer isso pôde perceber o ar sério e aflito da senhorita que pergunta:
- O que aconteceu? O vinho não parece bom?
- Não é isso. Estou surpreso um lugar como esse ter vinho. Pensei ser uma bebida para uma classe mais elevada que meros criminosos.
Nesse momento a garota faz uma expressão de preocupação, como quem se frustra por não agradar enquanto Punidor começa a sentir leve tontura e cansaço em todo seu corpo. Então levanta-se e diz:
- Desculpe minha indelicadeza, mas não estou muito bem, devo me retirar.
- Mas... Mas... Tudo bem, eu compreendo. Posso ao menos acompanha-lo nobre guerreiro?
- Estou hospedado longe e...
Antes que pudesse terminar seu raciocínio, Punidor se coloca cambaleando a ponto de ter que se apoiar na mesa.
-Vamos para minha hospedagem. Não estamos tão longe e não seria incomodo passar a noite com quem salvou minha vida.
Então, meio cambaleante, Punidor chega, com ajuda de Ludmilla, à estalagem onde a jovem estava hospedada.
Sutilmente a senhorita retira as partes superiores da armadura e das vestes do guerreiro, deitando-o na confortável cama do aposento.
Punidor estava confuso em sua mente, como quem está dopado ou bêbado, não pode notar que a jovem agora se punha sobre seu corpo, em posição ajoelhada, parecendo cavalgar, com rubor em sua face que ainda expressava inocência, seu cabelo agora solto e caindo sobre seu rosto, suas mãos pressionavam o peito do guerreiro. Apenas uma luz de vela iluminava todo o quarto, deixando o clima agradável da penumbra totalmente sedutor. A pouca luz ainda podia ser refletida pelos dourados cabelos da jovem.
Mesmo sem poder reagir, Punidor percebeu que a jovem, agora, levava a mão para entre duas pernas, dentro do vestido e antes que pudesse ter qualquer reação ou sensação, a garota retirou um punhal e o colocou de forma a pressionar Punidor. Seu olhar agora era de determinação e parecia decidida no que fazer.
Nesse momento Punidor, usando de suas forças restantes e sem nenhum discernimento, ergue sua mão até o rosto da donzela, acaricia seu rosto e diz:
-Tão selvagem e tão inocente. Cabelos dourados e reluzentes, valiosa e sedutora, como uma pepita de ouro bruta, ainda a ser lapidada... Tão rara e encontrada em um lugar tão improvável...
Ao ouvir isso, a garota desfez sua expressão de determinação. Seu rosto agora transparecia duvidas e incertezas, suas mãos tremiam, sua respiração agora estava ofegante, solta o punhal que cai ao chão, e tão logo se levanta.
Punidor não pode ver mais nada, seus olhos pesados e sua cabeça confusa não o permitiam distinguir o que estava acontecendo até que ouve o bater da porta e, em seguida, desacorda-se no leito.
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