A passos largos, Punidor segue em direção à cidade-porto de Mansúria, preocupado e temeroso quanto aos destroços encontrados na praia pouco antes da batalha na ponte. E assim seguem até chegarem às primeiras casas e lojas da cidade.
Por ser uma cidade estratégica de chegada de mercadorias, devido o porto, baseia-se pelo comércio e alto fluxo de pessoas de diversas culturas e regiões, sendo muito comum várias pousadas, estalagens e tavernas para acomodação e entretenimento dos mercadores. Apesar disso tudo, a cidade é modesta em tamanho, mas bem cômoda e tranqüila. O ar marítimo da cidade combinado com o calor agradável, era um convite para todos os visitantes, fazendo dela, a cidade mais popular entre os nobres.
Ao adentrarem mais na cidade, puderam observar o porto onde havia recém-atracado um navio com características incomuns para um navio mercador, canhões expostos e muitos membros da tripulação podiam ser observados com roupas militares.
- Não podemos perder tempo senhor Gilbert. Vamos para a pousada repousar pois logo mais irá anoitecer.
Diz Zangor tirando Punidor de sua momentânea distração e pensando no por que de tamanho poder de fogo para um navio meramente mercador. E ao seguir para a pousada, Punidor não hesita em dar uma ultima observada no local onde o navio estava atracado.
A noite cai, e os membros do grupo buscam repouso em seus respectivos quartos na pousada indicada por Iliam pouco antes de saírem em viagem. Mas Punidor não conseguira dormir, pensava sobre suas lutas, sobre seu ódio por toda a destruição que presenciara outrora. E em meio a essas reflexões, pôde notar uma sombra passando por sua janela e então vai averiguar.
- Até que você está atento para alguém que tenta relaxar, guerreiro sagrado. Pensei que te surpreenderia ao adentrar seu quarto sem você perceber.
Disse Drew em seu tom tipicamente sarcástico.
-Por que me interrompe? Não percebe que sua presença me incomoda?
Retruca Punidor irritado.
-Calma, calma meu camarada. Só pensei em chama-lo para tomar uma bebida, afinal, estamos em Mansúria, e esta cidade pode ser um paraíso para quem quer se divertir... Como eu HAHAHAHAHA.
-Não me interessa. Saia daqui!
Diz Punidor aumentando seu tom de voz e buscando intimidar Drew ao ameaçar sacar sua espada.
-Ora vamos. Podemos conversar sobre aquela mulher que saiu do navio hoje à tarde. Ou vai fingir que não a viu... heim Temível gladiador?
Punidor fica pasmo por alguns segundos até decidir acompanhar Drew.
Poucos minutos após os dois se encontravam em uma taverna suja e freqüentada por bandidos e possíveis saqueadores de mercadorias, provavelmente piratas ou ladrões de comerciantes.
Punidor e Drew se sentam em uma mesa bem ao canto do local, buscando privacidade e o menor contato possível com o ambiente, para evitar possíveis confrontos no local, embora Drew parecesse bem excitado com a possibilidade de haver alguma luta.
- Você me enrolou por todo o caminho apenas para me trazer em uma espelunca para me ver bater em bandidos asquerosos como esses?
Pergunta Punidor com o ar grosseiro que costuma fazer para Drew.
- Embora me parece realmente muito divertido ver sangue jorrar desses patifes asquerosos, te trouxe aqui pois é o local mais inadequado para alguma jovem garota, não é verdade? Ou você é tão desatento a ponto de não perceber que fomos seguidos?
- Sim, tive essa sensação desde a chegada ao porto.
- Então nobre cavaleiro, aquela embarcação não te pareceu suspeita? Acho que já a vi em algum lugar, porém, a bandeira era bem mais florida. HAHAHA
- Florida? O que quer dizer com isso?
- Acho que logo mais sua noite vai ficar interessante.
Antes que pudesse questionar as sentenças ditas por Drew, punidor fora surpreendido por uma voz suave e feminina que dizia:
- Desculpe senhor, está falando sozinho?
Ao prestar atenção em quem falava, Punidor pode ver uma doce e bela senhorita. Parecia ter por volta de seus vinte anos de idade, rosto de pele clara e levemente avermelhada, seus olhos eram verdes e lembravam o mar que banhava a costa da cidade, seus cabelos loiros e brilhosos estavam amarrados por uma fita branca, seu vestido azul mesclado de detalhes brancos deixava claro que a donzela não freqüentava esse tipo de local frequentemente.
-Senhor?
Repetiu a moça após perceber o rosto confuso de Punidor que havia olhado em sua volta e percebido que Drew havia sumido novamente, como era de praxe daquele jovem problemático.
Novamente Punidor volta sua atenção para a senhorita que diz.
- Desculpe minha interrupção, mas não pude deixar de notar que está trajado diferente do restante dos homens desse local, posso sentar-me ao seu lado? Já que não há ninguém contigo. Me chamo Ludmilla. Sou uma mercante vinda das terras do sul e não me senti à vontade de ficar sozinha neste local.
Pode-se perceber certo constrangimento vindo da jovem senhorita ao fazer tal pedido. No entanto, antes que Punidor pudesse aceitar seu pedido, um homem aparentemente forte e cheio de cicatrizes, vestido como um possível fora da lei puxa a jovem donzela pelo braço e diz:
- Aqui é seu lugar docinho. Sente-se aqui, na mesa dos mais fortes, e sinta-se feliz por ter minha atenção. Quem sabe não passará a noite...
Antes que pudesse terminar de falar, Punidor já havia pressionado a lâmina azul celeste de sua espada contra o pescoço do bandido, a ponto de manchar levemente a espada com tons de vermelho.
Nesse momento, alguns dos homens na mesa levantam-se buscando intimidar Punidor.
- Não quero ter que machuca-los.
Diz Punidor exigindo que soltem a jovem.
- Quem sairá machucado aqui será você. Matem-no.
E assim que a ordem foi dada, um a um dos capangas atacaram Punidor e um a um foram caindo, vitimas de poderosos golpes cheios de técnica e perícia. Um a um os corpos decoravam o chão de madeira mofada até que só sobrasse o chefe daquela mesa e antes que este pudesse dizer algo, pode-se notar o medo e a surpresa em seu rosto marcado por cicatrizes.
Quando ameaçou alguma reação, Punidor já dilacerava seu pescoço de forma a pintar o chão de vermelho.
Ao contrario do que pode-se imaginar, a jovem garota não expressava medo, nem surpresa. Ela observou a cena enquanto Punidor descontava parte de seu rancor nos bandidos e após acabar a ação do local, diz:
- Em retribuição à sua conduta, permita-lhe pagar uma bebida, nobre guerreiro.
Os olhares espantados a falta de reação dos freqüentadores do local era tamanho que ninguém ousara se aproximar de Punidor. E esse panorama durou até o momento que a senhorita chegou com uma bandeja com duas taças cheias de vinho e uma garrafa.
Então todos voltaram para suas respectivas mesas enquanto os empregados limpavam a sujeira e jogavam os corpos para fora do estabelecimento. Parecia ser um procedimento comum devido o tipo de pessoa que freqüentava o ambiente.
Tão logo sentam à mesa e se colocam a conversar, Punidor segura sua taça, brinda coma senhorita, e quando vai tomar seu vinho, tem uma sensação estranha e decide apenas degustar levemente de seu vinho, ingerindo apenas uma pequenina quantidade. Ao fazer isso pôde perceber o ar sério e aflito da senhorita que pergunta:
- O que aconteceu? O vinho não parece bom?
- Não é isso. Estou surpreso um lugar como esse ter vinho. Pensei ser uma bebida para uma classe mais elevada que meros criminosos.
Nesse momento a garota faz uma expressão de preocupação, como quem se frustra por não agradar enquanto Punidor começa a sentir leve tontura e cansaço em todo seu corpo. Então levanta-se e diz:
- Desculpe minha indelicadeza, mas não estou muito bem, devo me retirar.
- Mas... Mas... Tudo bem, eu compreendo. Posso ao menos acompanha-lo nobre guerreiro?
- Estou hospedado longe e...
Antes que pudesse terminar seu raciocínio, Punidor se coloca cambaleando a ponto de ter que se apoiar na mesa.
-Vamos para minha hospedagem. Não estamos tão longe e não seria incomodo passar a noite com quem salvou minha vida.
Então, meio cambaleante, Punidor chega, com ajuda de Ludmilla, à estalagem onde a jovem estava hospedada.
Sutilmente a senhorita retira as partes superiores da armadura e das vestes do guerreiro, deitando-o na confortável cama do aposento.
Punidor estava confuso em sua mente, como quem está dopado ou bêbado, não pode notar que a jovem agora se punha sobre seu corpo, em posição ajoelhada, parecendo cavalgar, com rubor em sua face que ainda expressava inocência, seu cabelo agora solto e caindo sobre seu rosto, suas mãos pressionavam o peito do guerreiro. Apenas uma luz de vela iluminava todo o quarto, deixando o clima agradável da penumbra totalmente sedutor. A pouca luz ainda podia ser refletida pelos dourados cabelos da jovem.
Mesmo sem poder reagir, Punidor percebeu que a jovem, agora, levava a mão para entre duas pernas, dentro do vestido e antes que pudesse ter qualquer reação ou sensação, a garota retirou um punhal e o colocou de forma a pressionar Punidor. Seu olhar agora era de determinação e parecia decidida no que fazer.
Nesse momento Punidor, usando de suas forças restantes e sem nenhum discernimento, ergue sua mão até o rosto da donzela, acaricia seu rosto e diz:
-Tão selvagem e tão inocente. Cabelos dourados e reluzentes, valiosa e sedutora, como uma pepita de ouro bruta, ainda a ser lapidada... Tão rara e encontrada em um lugar tão improvável...
Ao ouvir isso, a garota desfez sua expressão de determinação. Seu rosto agora transparecia duvidas e incertezas, suas mãos tremiam, sua respiração agora estava ofegante, solta o punhal que cai ao chão, e tão logo se levanta.
Punidor não pode ver mais nada, seus olhos pesados e sua cabeça confusa não o permitiam distinguir o que estava acontecendo até que ouve o bater da porta e, em seguida, desacorda-se no leito.
2 comentários:
Vamos que vamos alan!!!
Vamos sim q até eu to achando que ta ficando bom \o/
Postar um comentário