A escuridão e a neblina daquela noite fria camuflavam a entrada da escura caverna por entre as árvores. Mesmo assim, todos convocados estavam comparecendo para o que seria uma convocação dos principais integrantes do bando. A única característica em comum dentre todos os ali presentes e que ainda chegavam era o desenho de uma flor, seja tatuado, seja bordado ou até mesmo cravejado em uma espada ou escudo.
O interior da caverna era bem úmido e sua pouca iluminação era garantida por tochas fixadas nas paredes da caverna, fazendo assim um corredor em penumbra. Mais à frente, o corredor se abria formando uma sala oval onde havia uma mesa retangular coberta por um tecido roxo com o desenho de uma flor negra no centro, velas para iluminação e 3 cadeiras reservadas para os principais membros na parede oposta ao corredor. Esse salão era um pouco mais iluminado que o corredor, pois havia mais tochas e estas estavam localizadas tanto nas paredes do salão quando no meio, equilibradas por hastes de madeira. Cadeiras para prováveis expectadores e participantes do que seria uma provável palestra ou discussão.
Tão logo todos os acentos se ocuparam, inclusive os principais da mesa, o murmúrio outrora comum devido conversas paralelas cessou e assim todos puderam prestar atenção nos três seres que adentravam a sala juntos, paralelos um ao outro, em linha, se direcionando aos três lugares reservados à mesa. Eram eles: um homem de meia idade, um jovem guerreiro e uma garota.
- Façam reverência à Sodoreon, nosso glorioso líder.
Diz o porta-voz imediatamente após a entrada do salão.
Enquanto se caminhavam para tomarem seus lugares, Sodoreon vira seu pescoço e fala para o jovem ao seu lado.
- Garoto, desde o dia que fui conhecer-te pessoalmente no alto daquele penhasco, sabia que logo estaria aqui ao meu lado.
Sem sequer mover um músculo, o jovem loiro, agora mais forte e mais confiante que outrora, com sua armadura de cor prateada com detalhes em roxo e a flor negra condecorando seu peitoral revestido, segue em frente tomando seu lugar à direita de Sodoreon.
A jovem garota estava também trajando uma armadura azul metálica com detalhes em prateado, em seu cabelo era possível ver presilhas em formato de flor também negra como as outras do local.
Assim que todos estavam apostos, apenas Sodoreon permaneceu em pé. Todos prestavam total atenção em seu líder. Sodoreon então retira sua espada, coloca-a na mesa. Esse procedimento é repetido pelos outros dois integrantes da mesa.
- E assim dou iniciada nossa reunião. Como todos sabem essa reunião foi solicitada por meu aprendiz e braço direito que, prontamente, liderará o ataque à próxima vila.
Então o jovem guerreiro se levanta e toma a palavra para si, dando inicio ao seu objetivo com a reunião.
- Cavalheiros e damas aqui presentes. Solicitei vossa presença para informá-los sobre possíveis mudanças no atual plano. Primeiramente, porém pedir a permissão de nosso líder para que possamos reverenciar nossa princesa Ludmilla, por sua primeira reunião e, de fato, importante reunião.
Com a devida permissão de Sodoreon, após Ludmilla se levantar, todos se levanta, e ficam de joelhos em sinal de reverência à filha de seu líder Sodoreon.
Após as reverencias e devidas palavras de incentivo dadas pelos presentes, o guerreiro prosseguiu com seu discurso:
- Como dito recentemente, essa reunião foi solicitada por mim. Meus planos mudaram desde nossa ultima reunião para decidir as táticas de nosso próximo ataque. Mas não apenas para esse ataque, meus planos para todo o futuro desse grupo, denominado de Lótus Negra, representado pelo símbolo que cada um de vós carrega. A forma como estamos hoje, nos trás nada mais que o titulo de mercenários, bandidos fracassados, meros ladrões. O que almejo é algo muito maior que ridículas recompensas miseráveis de vilas pobres e largadas à deriva pelos reinos. Almejo algo grandioso, almejo golpes ousados e acima de tudo, almejo a gloria e a honra daqueles que tem orgulho desse símbolo que carregam.
Sodoreon bate com sua mão à mesa e levanta-se com raiva em sua expressão, encara o jovem guerreiro e diz:
- Como ousa jogar o nome de seu grupo na lama desse jeito? Questionar o orgulho dessa organização é questionar minha autoridade!
- Temia ouvir tais palavras de sua boca Sodoreon, mas já previa sua atitude, tão logo promovi essa reunião para tirar a liderança de suas mãos patéticas. Agora não há mais volta, desafio-o pela liderança do grupo. Aceite meu desafio e seja honrado, ou então levará ainda mais para a vergonha o nome que sequer ainda construiu.
Diz o jovem em tom desafiador e totalmente arrogante, sem respeito ou qualquer reconhecimento sobre o homem a quem respondia.
- Ora seu moleque! O que seria de você sem mim? Eu te criei, eu te treinei, tudo o que é hoje, é devido minha causa. Ousa me desafiar? Ousa me questionar? Se não me respeita pela liderança, me respeitará pela espada!
- Você é decrépito assim como todo esse bando que diz comandar. Eu apenas usei o fato de se interessar por minhas origens nobres, talvez para mendigar alguns trocados. Sua atitude patética me enoja desde o momento que o vi pela primeira vez. Pra você, tudo acaba aqui. O desafio está lançado.
Responde o cavaleiro já empunhando sua espada e se direcionando para o centro do salão.
Agora todos os presentes faziam um círculo no centro do salão, retiram as cadeiras do local e se posicionam para presenciar o a luta que esta para acontecer.
Ludmilla, aflita, parecia confusa, sem saber para quem torcer. Em momento algum a jovem se opôs às atitudes do jovem guerreiro, como também não defendeu seus ideais. Sua postura era neutra e confusa perante os acontecimentos.
Sodoreon, profundamente irritado, empunha sua espada, dirige-se ao centro do salão onde está posicionado seu oponente.
Ambos cruzam suas espadas, fazem a reverencia em forma de respeito para com a pratica que estão para realizar, encaram um ao outro. Sodoreon demonstra ira em seus olhos, seu rosto franzido e seus dentes cerrados, seu punho segurava fortemente sua espada parecendo que iria amassar seu cabo. Seu oponente estava tranqüilo, olhar concentrado, sempre fitando Sodoreon nos olhos, sua respiração constante e tranqüila.
E nesse ambiente de confronto entre os oponentes, as espadas começam a se cruzar golpe após golpe, as fagulhas saiam parecendo raios cruzando o céu, iluminando o interior da caverna. Ambos muito confiantes, com golpes poderosos e firmes. As espadas se chocaram, cruzadas e fixas, de forma que os oponentes pudessem se encarar.
- Pretende mesmo morrer aqui moleque? Se for essa sua vontade, farei de seu desejo uma realidade. Suas ambições são maiores que seu próprio ego moleque. Então sua jornada acaba aqui.
- Não Sodoreon. Você é apenas a pedra que impede minha ascensão. E como tal merece ser retirada. Apenas te vejo como um guerreiro fracassado líder de um grupo falido de mercenários patéticos. E isso acaba agora.
Então os oponentes se afastam. Olhares compenetrados. Sodoreon empunha sua espada próxima à seu peito fazendo a lamina passar rente ao seu rosto. O jovem guerreiro fez com que sua lâmina avermelhada tocasse o chão. E assim avançaram um em direção ao outro. Sodoreon projeta sua espada de cima pra baixo enquanto o cavaleiro riscava o chão, soltando faíscas, projetando seu golpe de baixo para cima.
O barulho de metal se chocando é ouvido por todos dentro do salão. A apreensão tomava conta. Ambos os combatentes permaneciam em pé, um de costas para o outro, na posição de conclusão do golpe.
Alguns pingos de sangue colorem agora o chão do salão. Era o sangue de Sodoreon. Poucos segundos se passaram até que seu corpo se desestabilizasse da posição e caísse de frente. Seu pescoço havia sido completamente dilacerado e sua cabeça rolou alguns centímetros mais à frente.
A luta havia terminado, o silêncio se intensificado, e a surpresa era geral para a maioria. Apenas um pequeno grupo de presentes não expressou reação alguma e Ludmilla que deixava escorrer algumas lágrimas embora não expressasse raiva ou rancor.
Sem expressar algum sentimento, com seu rosto indiferente ao acontecido, o jovem guerreiro diz:
- Como novo líder desse então grupo de bandidos, Dark Lótus, nomeio Zigfried como meu braço direito, e meus comandados imediatos serão Joe Tristan, Feuer, Angus Yaak, Allandarus. Nossa nova ordem está estabelecida. A partir de agora me chamem de “O Impiedoso” e minha espada será “Bebedora de Sangue”.
Um comentário:
Gogo Brotherrr!!
to animado com a historia... só nao demoreee tantooo pra escrever o proximo eim :D
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