-Onde esta indo guerreiro?
-Onde estão os garotos que encontrei mais cedo?
-Calma nobre guerreiro, eles virão amanha, você esta seguro aqui, e o efeito do veneno já passou, você agora deve descansar o resto da noite.
-Quem é você afinal?
-Me chamo Eddie, Eddie RedSilver. E você? Quem és guerreiro?
-Eu… eu… eu não sei meu nome verdadeiro, nem ao menos lembro quem fui, adotei o nome de Punidor Sagrado para que todos saibam minha causa.
-Pois bem Punidor, descanse por hora.
-Eu gostaria de reconhecer o lugar onde estou se não se importa, não demorarei muito, onde estão minhas armadura e espada?
-Estão com o jovem garoto que o trouxe, Ton. Seu pai é um excelente ferreiro, e ele deve se tornar tão bom quando seu próprio pai, a propósito, eu reconheci sua armadura e arma, eu creio que você mesmo não sabe do que se trata tendo em vista que não lembra ao menos o próprio nome. Aquele era o equipamento de uso do grande Dantor de Gunigard, sabe do fardo que carrega junto com esse equipamento?
-Tudo o que sei é que um senhor me deu para que eu pudesse lutar pela minha causa, ele me dissera que pertenceu à seu filho. Vejo agora que Dantor era um bom homem, farei valer o fardo que me foi dado. Agora me deixe esticar um pouco meus músculos e sentir a suave brisa dessa noite de primavera, senhor RedSilver.
-Você ainda não esta completamente recuperado, aconselho-te não demorar, pois o jantar estará servido em breve.
Falou RedSilver retirando o capuz próximo à fogueira e revelando-se. Um homem de pele escura, alto, careca, olhos negros, vestia um sobretudo que cobria-lhe todo o corpo e um capuz, ambos pretos e carregava consigo um cajado tão grande quanto sua própria estatura.
Punidor mal começa sua caminhada no bosque próximo aos muros de Gunigard, e Drew reaparece. Dessa vez com um olhar fixo a um ponto claro próximo ao portão de entrada da cidade que ficava cerca de 100 metros adiante.
-Eu sei que você também o viu justiceiro… foi logo ali na frente, próximo à área iluminada, pouco antes de você adormecer novamente.
-Além dos garotos, a ultima imagem de que me lembro era de um sacerdote, mas só lembro de sua capa.
-Hum… entendo justiceiro…
Nesse momento uma movimentação suspeita chama lhes a atenção na entrada da cidade. Um cavaleiro montado em seu cavalo tão escuros que mal puderam percebê-los no escuro. Tudo o que Punidor pode perceber fora um reflexo vermelho vindo do rosto do cavaleiro, sua capa e capuz vermelhos e a brasa de seu cigarro enquanto ele cavalgava em média velocidade e passava próximo à Punidor.
Drew estava em silencio, algo raro de se observar quando ele estava próximo de Punidor. Algo estava errado e Punidor podia sentir uma estranha sensação de que algo ruim estava para acontecer.
-Djarum… aquele é Djarum. As coisas vão esquentar Punidor. Se você quer saciar a sede de duas lâminas com sangue de homens maus, essa é uma ótima chance.
E antes de falar perguntar qualquer coisa para Drew, um clarão cegante seguido de um forte barulho de explosão se ouve dos portões do castelo. Punidor se prepara, e começa a correr em direção ao portão quando ouve a voz de Drew:
-E vai fazer o que justiceiro? Chutar-lhe a bunda até que ele peça perdão? Ou talvez pretenda pedir-lhe um cigarro já que as chamas para o acender ele já providenciou.
Parecia absurdo ter a visão das chamas dos portões, dos corpos agora mutilados dos guardas no chão também em chamas, e não poder fazer nada, mas Drew estava certo, seria suicídio investir desarmado contra um inimigo desconhecido. Então Punidor volta para a cabana de RedSilver.
Não muito longe dali, Punidor encontra RedSilver que já estava indo em sua direção. Enquanto voltam para a cabana, Punidor descreve a cena que acabara de ver, e quando menciona voltar à cidade, Punidor é impedido por RedSilver.
-Deixe isso para a milícia da cidade. No estado em que esta, você será apenas mais um corpo inerte nas ruas da cidade. Amanha você reaverá sua arma e armadura, ai sim poderá pensar em perder sua vida com a mínima dignidade possível.
Contrariado, mas ainda com bom senso, Punidor acata as recomendações de RedSilver e aproveita o resto da noite para descansar e se recuperar.
Na manha seguinte, Punidor é acordado por Ton que trouxera consigo os seus equipamentos de combate.
-Estava um tanto quanto amassada sua armadura, o que você andou fazendo com ela? Você foi atropelado por uma carroça ou acertado pro um martelo?
-Na realidade, levei apenas alguns socos e joelhadas.
-E a sua espada… você pretendia cortar os inimigos ou mastigá-los? Haviam mais dentes do que lâmina.
O silencio fora a resposta de Punidor.
-Desculpe por pegar sem avisar, mas eu não podia perder a chance de consertar a armadura do capitão da guarda de Gunigard, Dantor.
-Você fez um ótimo trabalho garoto.
Disse Punidor pegando sua espada praticamente refeita, vestindo a sua armadura e saindo da cabana para praticar alguns movimentos.
Conforme Punidor ia movimentando a espada simulando um combate contra um inimigo imaginário, Ton observava atentamente o dançar da espada, cortando o vento em cada movimento. Empunhada por Punidor, pareciam orquestra e maestro, movimentos harmônicos que faziam o momento durar eternamente, cada golpe a mais dado pro Punidor era como se o tempo parasse para admirar a união perfeita entre a espada e a alma do guerreiro. Ton podia enxergar a genialidade de Punidor com o instrumento. E tanto se distraia que acabou perdendo o horário.
-Estou perdido, me atrasei para o culto na igreja. Logo hoje que minha mãe ordenou que eu não me atrasasse! Eu estou perdido.
Lembrando da cena que vira na noite passada Punidor resolve acompanhar o jovem Ton até à igreja.
Enquanto Ton falava de si mesmo, de como era a sua vida de ferreiro com seu pai, sobre sua vontade de um dia tornar-se um grande cavaleiro como Dantor fora, contar como era lastimável ser rejeitado pelas jovens garotas da cidade, Punidor se atentou apenas em observar as brasas do portão de madeira da cidade, as manchas que os corpos queimados produziram e o rastro de pólvora tênue e suave, que curiosamente levavam ao mesmo caminho em que Ton seguia.
Já tinham a visão da igreja. Uma construção faraônica, famosa em toda região, possuía uma torre central onde o sino soava forte e imponente, e em volta de seu telhado redondo, quatro torres distribuídas equivalentemente, duas ao lado das escadarias onde culminavam nos portais da grande igreja, e duas nos fundos, montando um quadrado em volta da grande cúpula de orações e cultos. Toda cinza com vitrais coloridos que demonstravam grandes batalhas em que o povo acreditava terem sido ganhas por intervenções divinas, uma estatua de Dantor considerado o guerreiro abençoado que trouxera a paz à Gunigard, telhado azul para dar um ar mais celestial à grande construção. Sem duvidas, era o grande orgulho de Gunigard.
Mas apesar de tamanha grandeza e gloria, o que mais chamou a atenção de Punidor fora um sacerdote, com sua capa branca com uma cruz negra, uma flor negra em cada canto da capa, sua roupa branca com detalhes pretos, cabelo preto curto e franja, segurava um livro e apertava-o fortemente contra seu peito, um cajado de corpo preto e símbolo dourado em formato de circulo com detalhes semelhante à chamas em seu ápice, olhos fechados e sussurrava algumas palavras. Estava exatamente encima do ponto após a estátua onde o rastro de pólvora cessava.
Ao subir as escadarias, Punidor olha para cima e vê a imagem de Drew gritando e apontando para o sacerdote porém Punidor esta longe para decifrar o que Drew diz.
O sacerdote se levanta, empunha seu cajado, desce as escadas, passa ao lado de Punidor e o encara com os olhos arregalados e com uma expressão assustada.
-COMO É POSSIVEL? VOCÊ NÃO PERTENCE AO MUNDO DOS MORTOS! EU O MATEI PESSOALMENTE!
Diz o sacerdote já investindo o cajado contra a cabeça de Punidor que só tem tempo de esquivar-se e rebater o cajado com sua espada.
Sentindo o ódio em suas palavras, e o cheiro de morte vindo do sacerdote, Punidor empunha fortemente sua espada e parte para o confronto.
Demonstrando admirável habilidade para bloquear os ataques de Punidor com seu cajado, e uma agilidade incrível ao esquivar-se e contra atacar, o sacerdote se mostra um adversário formidável, mantendo sempre a luta em equilíbrio. Utilizava toda o cumprimento de seu cajado para obter certa vantagem pois mantinha Punidor a uma distancia em que sua espada não o alcançava.
Em contra partida, Punidor bloqueava os ataques do sacerdote, e quando tinha oportunidades, contra atacava golpeando o cajado, de forma a obter espaço para se aproximar e tentar causar algum dano até que em um momento, Punidor se aproxima e golpeia o sacerdote na altura da cintura. Com um giro, visando utilizar a capa como proteção, o sacerdote esquiva-se do golpe porem tem a sua capa retalhada.
Ton observava a luta totalmente imóvel.
Um latido podia ser ouvido do alto da escadaria. Ícaro descia as escadarias e logo atrás, ainda no alto podia ser vista Chris, que ainda não havia entrado na igreja.
E é nesse momento que todos puderam notar uma seqüência de fortes explosões vindas de dentro da igreja. As vidraças se estilhaçaram, os portais foram arremessados levando consigo a garota que estava nas escadarias, a base das torres cedia e as torres desmoronaram uma a uma encima da grande cúpula de telhado azul. A grande torre central também desmoronara, dando ao grande sino, sua ultima badalada ao tocar os escombros. Estilhaços das vidraças cortavam a superfície do corpo de Ton e Punidor, enquanto o sacerdote descia as escadarias e montava seu cavalo juntamente com um homem de sobretudo e capuz vermelhos.
Punidor só teve tempo de interceptar Chris em meio à sua queda após ser arremessada pela explosão. E após pegala em seus braços, eles rolam pela escadaria.
Ton ajoelha-se, ainda assustado tentando assimilar o que aconteceu, com seu rosto em lagrimas e sua expressão variando entre o desespero e a surpresa, naquelas escadarias, diante dos escombros e das chamas que ainda ardiam, um grito pode ser ouvido ecoando por toda Gunigard. Era o grito de dor de um garoto. Era o grito de dor de Ton.
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