quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Capítulo 5: Uma lição para Ton

Agora a grande catedral que levava consigo o orgulho de Gunigard se transformou em um imenso túmulo feito de escombros cobertos por telhas azuis despedaçadas.

Olhando para o que sobrou da grande construção, ao mesmo tempo em que se levanta apoiando sua mão direita no chão agora molhado numa mistura de lagrimas, suor e sangue, Ton agora expressava um ódio antes jamais sentido. Determinado em achar os culpados e fazer vingança, Ton respira fundo, sussurra algumas palavras como quem faz uma ultima despedida, e desce as escadarias seguindo a direção de sua casa.

Punidor se levanta tomando a então desacordada Chris em seus braços e mesmo podendo observar a dor e o sofrimento de Ton, resolveu não interferir, pois poucos dias atrás também sentira o mesmo sentimento, ninguém mais do que Punidor para entender o que Ton sentia.

A guarda real de Gunigard aparecera após alguns minutos, era o próprio rei Iliam quem liderava a cavalaria. Então Iliam se aproxima de Punidor, e observando Chris em seus braços, e a armadura que Punidor vestia, ele pergunta:

-Gilbert? Você esta vivo?

-Temo não ser essa pessoa que fala apesar de não lembrar nem ao menos meu próprio nome. Mas me chame de Punidor Sagrado.

-Você veste as mesmas armadura que pertenceu a Dantor e à Gilbert que era seu melhor pupilo e provável sucessor e carrega em seus braços a irmã mais nova de Gilbert da mesma forma em que ele carregava-a quando ela adormecia na milícia durante as reuniões que adentravam à noite. Você possui o mesmo rosto de Gilbert. Você deve sim ser Gilbert, estou grato que ainda esteja vivo, embora seu cabelo esteja maior do que oito dias atrás.

Rei Iliam era um homem de meia idade, pele branca um pouco avermelhada talvez por suas longas campanhas e viagens, aparentemente entre trinta e oito e quarenta e três anos, longos cabelos castanhos claros, cavanhaque, rosto sério e pouco envelhecido podendo se perceber apenas alguns traços pouco enrugados na testa e próximo aos seus olhos cor de mel, estava vestido com sua característica armadura dourada com o a face de um leão forjada no peitoral (a mesma marca da armadura de Punidor), montado em seu cavalo branco com uma armadura também dourada.

Mas mesmo fazendo valer a sua presença perante Punidor, o grande rei de Gunigard, Iliam, não conseguiu prender a atenção de Punidor que fixava sua atenção no pedaço de capa rasgada que balançava devido o vento e que pertencia ao sacerdote com quem lutara. Então Punidor decide pegar o pedaço de pano e percebe que nele havia o desenho de uma flor negra.

-Esse é o símbolo da ordem de mercenários mais cruéis que nosso país já viu. Essa flor é o que dá nome ao grupo, trata-se de uma Lótus Negra. Venha ao castelo jantar essa noite cavaleiro, agora se me der licença, vamos averiguar o que de fato aconteceu aqui. Infelizmente não temos tempo para nossos pêsames, pois enquanto prestaríamos nossas homenagens, certamente outra catástrofe estaria sendo tramada. Vejo- mais tarde... GILBERT!

E foi assim que Iliam se despediu de Punidor, com um ar despreocupado, com esperanças em seus olhos, e chamando-o de Gilbert.

-Gil... Gil... eu sabia que era você irmãozão. O que... O que aconteceu irmãozão? Onde esta Ton? Meu corpo dói, minha cabeça dói irmãozão. Por favor, me leve pra casa.

Disse Chris ao ser despertada pela voz de Iliam.

Sem saber para onde levar a jovem Chris, Punidor resolve ir atrás de Ton que ainda estava em seu raio de visão.

Ao chegar próxima a casa e vê-lo entrar, Punidor percebe que Eddie entrara pouco depois. Punidor abre a porta da humilde, porém bem estruturada casa na região do subúrbio de Gunigard. Havia quatro cômodos na casa: dois quartos, uma sala de refeições, e a cozinha. Todos com o mesmo piso de chão batido e com telhado de palha e paredes de madeira, nos fundos havia uma bigorna, uma fornalha a carvão, espetos de metal, muito ferro ainda não trabalhado, martelos de ferreiro e luvas.

Tão logo entra na casa, Punidor entra na casa, já coloca Chris deitava com cuidado, pois a garota ainda se sentia tonta e dolorida, com alguns cortes pelo corpo e sangue em sua cabeça devido alguma concussão.

-E o que pretende fazer agora garoto? Vai enfrentar toda a Lótus negra apenas com sua coragem? Você nem ao menos sabe segurar esse machado. Dessa forma o Maximo que você vai conseguir é mais uma sepultura, e esta com seu nome.

Era a voz de RedSilver provavelmente falando com Ton.

-Tudo o que eu tinha, toda minha família morreu na explosão, a mim nada sobrou!

-Apenas seu ódio não trará alivio para sua alma jovem ingênuo, use-o para se tornar mais forte e não para se autodestruir. Antes de empunhar esse machado que seu pai usava com maestria ao lado de Dantor, você precisa merecê-lo e honrar as memórias do seu pai.

-Irei vingar minha família, e você não me impedira.

E antes que Ton saísse empunhando seu machado, Punidor pára na frente dele.

-Eu não me importo com quem você seja, não me importo se você seja realmente Gilbert, se você ficar em meu caminho, eu matarei você também!

-Hoje vou lhe ensinar algo que servira para todas as suas batalhas Ton, hoje você aprenderá a ser um verdadeiro vingador.

Entendendo tais palavras como um afronte, Ton avança em investida com seu machado visando um corte diagonal, porém Punidor já havia feito a leitura visual de todos os movimentos de Ton e dessa forma pode esquivar-se facilmente e em seguida acertar-lhe uma pancada com o cabo da espada direto na parte de trás da cabeça. Ton caira imediatamente do lado de fora da casa, levado pelo peso do machado e pelo impacto do golpe.

Ton levanta-se e sacudindo a poeira de sua roupa. Mais uma vez ele investe contra Punidor, dessa vez arrastando as lâminas do machado no chão e novamente tentando um golpe diagonal, dessa vez de baixo para cima. E mais uma vez Punidor se esquiva e contra acata com um tapa acertando as costas da mão bem no rosto de Ton, arremessando-o na mesa de refeições. Ton levanta-se, empunha novamente o machado, dessa vez sobre sua cabeça, e tenta um golpe diretamente na cabeça de Punidor, mas de repente o machado fica leve, e Ton nem pode ver o que acontecera pois havia fechado os olhos durante o ataque.

Quando abriu seus olhos, Ton pode ver que o cabo de seu machado fora cortado e que as lâminas estavam no chão e tudo o que ele sentia era sua camisa branca se encharcando e um tremendo ardor em suas costas que fora cortada pelas lâminas do machado.

Então Ton se ajoelha, se sentindo o mais fraco dentre os homens, e vendo sua real situação em combate, não resiste e deixa que suas lagrimas cubram novamente seu rosto já exausto.

-Levante-se. Mesmo se for morrer, faça-o de uma forma honrada.

-Por que... Por que você fez isso? Por que fez com que eu me sentisse humilhado?

Sem responder as perguntas de Ton, Punidor observou que já estava anoitecendo, e lembrou-se que o rei Iliam havia chamado-o para jantar na residência real de Gunigard e sem mais palavras ele começou sua trajetória até o castelo.

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